Concurso público de Salto tem suspeitas de irregularidades; vereador pede explicações
O concurso público da Prefeitura de Salto, realizado no último domingo (12), passou a ser alvo de questionamentos após denúncias de possíveis irregularidades tanto no processo de licitação quanto na aplicação das provas.
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👉 Entrar no grupo do WhatsAppOrganizado pela empresa SHDias Consultoria e Assessoria Ltda, o certame contou com cerca de 16,8 mil inscritos. O contrato firmado tem valor de R$ 379,9 mil, com remuneração baseada nas taxas pagas pelos candidatos.
Nível fundamental previsto, mas não ofertado
Uma das principais inconsistências apontadas está na previsão de cargos de nível fundamental no contrato — que não constaram no edital de convocação das provas.
O documento da licitação previa cobrança de R$ 12,25 por inscrição nesse nível, valor inferior aos demais. A inclusão pode ter reduzido artificialmente o custo global da proposta vencedora, levantando suspeitas de possível vantagem indevida no processo licitatório.
Especialistas apontam que, caso o nível não estivesse previsto na prática, a situação pode configurar vício na licitação.
Locais de prova fora do contrato
Outro ponto questionado envolve os locais de aplicação. O contrato previa a utilização de escolas da rede municipal, porém, dos 26 locais usados, apenas 11 atendiam a essa exigência.
Os demais incluíram escolas estaduais, uma instituição federal, unidade privada e até o próprio Paço Municipal.
Prova no Paço Municipal gera questionamentos
Candidatos ao cargo de auxiliar administrativo realizaram a prova dentro do Paço Municipal, sede administrativa da Prefeitura.
A situação levanta dúvidas sobre a imparcialidade do ambiente, já que o local abriga atividades do órgão responsável pelo concurso.
Problemas de estrutura e organização
Relatos de candidatos também apontam falhas na estrutura de aplicação. Em um dos locais, participantes teriam feito a prova em um refeitório, com mesas compartilhadas e cartões-resposta visíveis.
Também foram registradas falhas na fiscalização, como ausência de fiscais e circulação de pessoas não autorizadas. Segundo denúncias, profissionais teriam sido recrutados até a véspera, e parte deles não compareceu no dia da prova.
Concentração de candidatos
A realização de todas as provas em um único dia também é alvo de críticas. A medida pode ter contribuído para a utilização de espaços inadequados, já que a rede municipal não comportaria todos os candidatos simultaneamente.
Caso pode ser investigado
Diante das irregularidades apontadas, o caso pode ser encaminhado ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), que podem apurar possíveis falhas no contrato e na licitação.
Entre as consequências estão aplicação de multas, sanções administrativas e até a anulação do concurso, com eventual reaplicação das provas.
Câmara cobra explicações
O vereador Chell afirmou ter recebido “com preocupação” as denúncias e informou que irá encaminhar requerimento à Secretaria de Administração e à Controladoria.
“Diante da gravidade dos relatos, estarei solicitando apuração de possíveis irregularidades no edital, na contratação e na atuação da empresa responsável”, declarou.
Prefeitura se manifesta
Em nota, a Prefeitura de Salto informou que a comissão do concurso, formada por servidores concursados, acompanhou toda a aplicação das provas e afirmou que todos os candidatos convocados realizaram seus exames.
Segundo a administração, foram registradas ocorrências pontuais, como três candidatos com documento digital — não permitido — e um caso de descumprimento do lacre de celular. Nesses casos, os candidatos foram orientados e terão as provas anuladas.
A Prefeitura também confirmou um problema estrutural em uma escola, que levou à realocação de 19 candidatos para o refeitório, garantindo, segundo a nota, que não houve prejuízo.
O concurso segue em fase de correção das provas, e um relatório completo deverá ser apresentado pela empresa organizadora.
