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Mulheres de Salto: Carolina Padreca, a paixão pelo teatro

O Jornal de Salto começa hoje a publicar uma série de entrevistas com mulheres que fazem a diferença na cidade.

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A trajetória artística de Carolina Padreca se mistura à própria história cultural da cidade de Salto. Desde 2011, ela dedica sua vida à formação artística por meio de oficinas de teatro, atuação que nasceu de uma paixão cultivada desde a infância e passou já por outras expressões, como coral, canto, sapateado, artes plásticas, colagens e literatura.

Neste ano, celebra quatro décadas desde que pisou pela primeira vez em um palco. Jornalista de formação, com pós-graduação em Comunicação e Meio Ambiente, ela chegou a sonhar com atuação em jornal impresso e rádio, mas a vida profissional tomou o rumo das artes cênicas.

Sua relação com o teatro começou de forma inesperada. Ela iniciou dando aula para substituir um professor no Ponto de Cultura – Espaço Cultural Barros Junior e permanece no espaço até hoje, onde atua como diretora de oficinas e espetáculos. Carolina afirma que já construiu parte importante de seu legado, incentivando novos artistas a assumirem papéis de criação, direção e produção.

Referências

“Tem muita gente bacana que foi se desenvolvendo artisticamente nesse tempo. Eu já estou passando o bastão: quer dirigir? quer escrever? A gente precisa deixar eles assumirem…”, comenta. “A arte passa de geração para geração. Esse legado vem de nomes como Marisa Gil, Célia Mariano e Ivonete Magnanini. A gente sabe que a arte continua, e precisa mesmo continuar, mesmo depois que a gente se for”, reflete.

A primeira peça escrita e dirigida por Carolina foi “Luz”, obra que aborda meio ambiente e folclore. Ao longo de mais de 15 anos de trabalho teatral, ela acumulou uma extensa produção autoral, com destaques para O Voo da Anhuma, Malu no Mundo dos Brinquedos, Ensaios sobre aNormalidade e Santa Joana D’Arc do Sertão.

Desde 2011, dirige espetáculos e oficinas teatrais, além de ser fundadora das companhias artísticas Cia. [insira aspas] Cia. Sei Lá a Gente Inventa e Trupe Monarca.

Entre os trabalhos musicais e teatrais escritos e dirigidos por ela, destacam-se Luz (2011), O Voo da Anhuma (2012), Leonela e o Golpe D’Água (2013), Malu no Mundo dos Brinquedos (2014), Vozes Afro (2016), Santa Joana D’Arc do Sertão (2016), Um Sonho Literal (2017), Ensaios sobre a Normalidade (2017) e Santa Joana D’Arc do Sertão (2018).

Também realizou muitas adaptações teatrais, como: As Peripécias de uma abelhuda maluca (Andrés), O Pequeno Príncipe (Saint-Exupéry), A Vaca Lelé (Ciambroni), O Mágico de Oz (Frank Baum), A Casa de Bernarda Alba (Lorca), Quadrilha (Magalhães), Panos e Lendas (Capella), A Pequena Vendedora de Fósforos (Andersen), Sonho de uma noite de verão (Shakespeare), A Máscara da Morte Rubra (Poe) Marcelino Pão e Vinho (Sánchez-Silva), Auto da Barca do Inferno (Vicente, 2024), A Rainha é a Lei (Frota), dentre outras.

Cultura local

O trabalho cultural, segundo ela, é marcado pelo desafio da sustentabilidade financeira. Quando há projetos financiados, é possível investir um pouco mais na questão cenográfica, nos figurinos, porém, ainda assim não é possível abarcar todas as necessidades. Carolina defende que a cultura não é supérflua.

A artista destaca o ambiente cultural da cidade, que possui espaços importantes para as artes cênicas, como a Sala Palma de Ouro, com capacidade para 489 espectadores. O município também conta com outros palcos culturais e forte tradição artística.

Um dos fatores que, para ela, explica a vocação cultural local é a realização da Mostra Estudantil de Teatro há mais de 30 anos, iniciativa que incentiva jovens a ingressarem nos grupos teatrais e no conservatório musical da cidade.

Carolina também atuou como jornalista cultural, integrando o projeto O Trampolim ao lado da colega Fabiana, onde acompanhava espetáculos e produzia textos críticos sobre teatro e cultura.

Atualmente trabalha como assessora de comunicação e social media, conciliando o jornalismo com a produção artística.

Laços afetivos

Casada há 20 anos com o maestro Silmar Oliveira, ela não tem filhos biológicos, mas diz exercer um forte papel materno com seus alunos.

“Os alunos falam: ‘vou embora sozinho para casa’. Eu digo: não, deixa que eu levo… Eles vêm conversar, falam dos problemas. Tem a Letícia, que entrou aqui com 8 anos e hoje tem 22”, conta.

Carolina relata que muitos estudantes continuam frequentando os ensaios mesmo em dias em que não participam das oficinas, fortalecendo laços afetivos com o grupo.

Ao longo da carreira, lecionou em duas instituições de ensino superior, atendendo mais de vinte cursos diferentes, além de ter representado a cadeira de Pontos de Cultura no Conselho Municipal de Políticas Públicas de Salto.

Hoje, Carolina Padreca é reconhecida como referência na formação artística e na difusão cultural, deixando um legado marcado pela educação, pelo teatro e pela inspiração de novas gerações de artistas.

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