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As muitas fases de uma mãe…

Eu tenho uma teoria maluca de que o dia já não tem mais 24 horas há muito tempo — e a NASA esconde isso da gente. Vivemos cercados de teorias malucas, então até aí tudo bem.

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Todo mundo anda dizendo que o tempo voa, que a rotina está corrida, que os dias passam rápido demais. Mas eu queria falar sobre outra coisa: o crescimento dos filhos e o quanto isso deixa a gente nostálgica.

Neste ano, meu filho mais velho completou 12 anos. E a gente sente que alguma coisa está escapando pelos dedos…

Nesse dia, chegamos a um parque e estava lá a placa: “Até 12 anos”.

E os homens têm isso, né? Enquanto as meninas têm a menstruação para lembrar que cresceram, que saíram da infância, os meninos não têm um marco tão claro.

Lembro que, na faculdade, na disciplina de Antropologia, a professora contou que, em algumas tribos indígenas, os meninos eram circuncidados e, a partir dali, já não podiam mais frequentar os espaços das crianças.

Eu acho que, na sociedade atual, algo que marca esse crescimento é o McLanche Feliz. Um dia eles simplesmente param de querer os brinquedos e preferem um hambúrguer duplo.

No primeiro dia em que meu filho fez essa escolha, enquanto a irmã — três anos mais nova — ainda se importava mais com o brinquedo de plástico do que com a comida mostrada no cartaz, eu pensei:

Essa deve ser a circuncisão contemporânea.

Mas, logo depois de saciado com sua dose extra de carne, ele fazia questão de pegar o brinquedo da irmã.

E eu sentia um certo alívio:

“Ufa… meu menino ainda está aqui.”

Compramos um escorregador e um pula-pula no Natal de 2022. Quando nos mudamos da chácara onde morávamos, eles foram para o quintal da vó.

Só que os quadris deles já não cabiam mais rumo ao chão.

O pula-pula foi ficando cheio de teias de aranha.

Minha mãe perguntava se podia desmontar o brinquedo, e eu relutei o quanto pude. Porque aceitar aquilo era aceitar que eles estavam crescendo.

No meio disso tudo, minha filha começou tratamento para puberdade precoce. E essa sensação de querer preservar um pouco mais da infância que ainda lhes resta passou a me atingir ainda mais.

E tem algo que ninguém discute:

Quando nos tornamos mãe ou pai, temos tendência a sermos melhores em determinadas fases da infância.

Existe a mãe maravilhosa do bebê: atenciosa, dedicada, cuidadosa nos mínimos detalhes. Mas nem sempre ela será tão boa quando aquele serzinho começar a ter opiniões divergentes.

Da mesma forma, existem mães que talvez não se sintam tão confortáveis com bebês. Talvez sejam mais distraídas, talvez tenham dificuldade em lidar com aquela fragilidade toda. Mas serão incríveis com crianças maiores ou adolescentes.

Nossos filhos precisam ser amados e cuidados em todas as fases. Mas nós, como pais, inevitavelmente teremos fases em que florescemos mais. É uma questão de personalidade, de afinidade, de jeito de amar.

E eles crescem rápido demais.

As lembranças do Google Fotos vão aparecendo e mostrando que tudo passa numa velocidade assustadora.

Esses dias encontrei uma mãe, uma vizinha, com dois filhos pequenos: um no colo, o outro quase colocando o dedo na tomada.

E eu me vi nela.

Ufa… como era difícil.

Pandemia. Nós três presos no apartamento, apenas sobrevivendo do jeito que dava.

E quando vinha a febre? E aquele medo absurdo de não saber se eles ficariam bem? Eles eram tão frágeis…

No caso do Gabriel, foram infecções recorrentes de garganta, antibióticos fortes, depois uma alergia severa à formiga, tratamentos longos…

Meu coração de mãe passou por poucas e boas.

Agora, o desafio veio com a Liz: a puberdade precoce, a investigação de uma doença genética que depois se revelou branda. Mas até chegar a essa resposta, uma mãe já teve o coração destruído mil vezes.

Mas, no aniversário de 12 anos do meu filho, olhando ele correr pelo parque — infringindo todas as regras de Rio Claro — eu só consegui agradecer.

Agradecer por estar vivendo mais essa fase com eles.

É uma fase nova.

Uma fase com menos cuidados, mas ainda cheia de presença.

Com muitas risadas, conversas sérias, orientações e exemplos para a vida.

O tempo passa rápido demais.

Enquanto o pula-pula descansa silencioso no quintal, a gente vai aceitando que nada mais será como antes.

Mas também entende que ainda vai ser muito bonito acompanhar o desenvolvimento dessas pessoinhas tão especiais.

(foto nostálgica de 2021)

Rosana Bueno, jornalista e mãe

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