Os vereadores da Câmara da Estância Turística de Salto protocolaram junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo uma representação solicitando apuração de possíveis irregularidades na contratação de shows para o Carnaval 2026. O documento aponta indícios de sobrepreço, discrepância injustificada de valores e possível dano ao erário.
A representação questiona contratações realizadas sem licitação envolvendo artistas e empresas responsáveis pelas apresentações previstas entre os dias 14 e 17 de fevereiro.
Valores sob comparação
Segundo o documento, os valores pagos pelo Município de Salto estariam acima dos praticados por outras cidades em períodos próximos e para eventos de natureza semelhante.
Entre os exemplos citados:
Juliana Moreto (foto)
- São Paulo (2025): R$ 50 mil
- Salto (2026): R$ 87 mil
- Diferença apontada: R$ 37 mil (74% superior)
Thaeme & Thiago
- Tupi Paulista: R$ 215 mil
- São Sebastião do Rio Verde (MG): R$ 200 mil
- Salto: R$ 270 mil
- Diferença apontada: entre R$ 55 mil e R$ 70 mil
Grupo Soweto
- Paraisópolis (MG): R$ 70 mil
- Guaraciaba (MG): R$ 80 mil
- Salto: R$ 150 mil
Banda Bicho de Pé
- São Paulo (maio de 2025): R$ 45 mil
- Salto: R$ 55 mil
Os parlamentares alegam que não foi apresentada justificativa técnica individualizada capaz de demonstrar a compatibilidade dos preços com o mercado, conforme exige a Lei de Licitações.
Pedido de medida urgente
Na representação, os vereadores solicitam que o Ministério Público determine que o Município apresente, no prazo máximo de 48 horas:
- Justificativa técnica individualizada dos preços;
- Estudo comparativo de mercado;
- Critérios objetivos utilizados para definição dos valores;
- Cópia integral dos processos de inexigibilidade.
Também foi pedido que, caso constatadas irregularidades, os contratos sejam suspensos até eventual revisão dos valores.
Fizeram o pedido os vereadores Antônio, Arildo, Rogério, Grazi, Chell e Edemilson.
Recursos públicos
O evento Carnaval 2026 – Tradição Saltense conta com recursos oriundos de emenda parlamentar e contrapartida municipal.
No documento, os vereadores afirmam que a iniciativa não representa julgamento antecipado, mas exercício do dever constitucional de fiscalização, cabendo aos órgãos competentes a análise técnica e jurídica dos fatos.
A Prefeitura de Salto disse que irá se manifestar oficialmente nesta quinta-feira.


