Domingo, 27 de setembro de 2026
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Salto debate despoluição do Tietê e promove limpeza simbólica do rio

Representantes de órgãos ambientais, autoridades, pesquisadores e integrantes da sociedade civil participaram, na terça-feira (22), na Sala Palma de Ouro, em Salto, da quarta edição da Conferência Todos pelo Tietê. Com o tema “Lama preta no Rio Tietê — até quando?”, o encontro discutiu os desafios para a despoluição e recuperação do rio.

A conferência ocorreu poucos dias depois de o Tietê voltar a chamar a atenção pela grande quantidade de resíduos, lodo e esgoto que chegou a Salto, deixando as águas com coloração escura. Dias depois, também foi registrada mortandade de peixes.

Na abertura, o prefeito de Salto, Geraldo Garcia (PP), disse estar “otimista” de que ainda verá o Rio Tietê limpo. Ele também lembrou mudanças ocorridas na década de 1990 que tiveram impacto na dinâmica das águas poluídas da Região Metropolitana de São Paulo.

Em 1992, o bombeamento rotineiro das águas dos rios Tietê e Pinheiros para a Represa Billings foi interrompido, passando a ser permitido em situações específicas, como no controle de cheias. Com isso, as águas do sistema passaram a seguir predominantemente em direção ao interior pelo Tietê. Ao longo das décadas seguintes, a ampliação da coleta e do tratamento de esgoto buscou reduzir a carga de poluição lançada nos rios, mas os impactos continuam sendo sentidos em municípios, como Salto.

Entre os participantes estavam o subsecretário estadual de Recursos Hídricos e Saneamento, Cristiano Kenji Iwai; a diretora de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro; e o professor Kunihiro Fukai, da Shizuoka National University, do Japão.

Identidade cultural

Malu Ribeiro criticou a utilização dos rios para receber esgoto e destacou a importância da participação da sociedade na recuperação do Tietê.

“A gente acha que ainda pode se dar ao luxo de usar água de rio para diluir esgoto”, afirmou.

Ao recordar que brincava no Tietê durante a infância, Malu ressaltou também o impacto social da degradação do rio. “A poluição do Rio Tietê roubou de nós a nossa identidade cultural.”

“Sem a participação da sociedade, a gente não consegue resolver os problemas, pois é um processo cultural. As pessoas estão desconectadas dos recursos naturais devido a uma engrenagem da qual são vítimas”, completou.

O professor Kunihiro Fukai abordou a questão dos sedimentos contaminados e as possibilidades de tratamento e recuperação de rios. Representantes do Governo do Estado apresentaram ainda ações e investimentos relacionados à recuperação do Tietê.

Limpeza simbólica

As atividades da Semana do Tietê continuaram na sexta-feira (25), no Museu da Usina de Lavras, com ações de educação ambiental envolvendo estudantes e instituições ambientais. A programação foi encerrada com uma retirada simbólica de resíduos do Rio Tietê, reforçando a importância da conscientização e da participação da comunidade na preservação do rio.

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