Sexta-feira, 30 de outubro de 2026
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Profissionais da cultura local são homenageados

Cerimônia do Prêmio Câmara de Mérito Cultural Saltense “Marcos Pardim” aconteceu na Sala Pala de Ouro

A Sala Palma de Ouro recebeu, na noite de quarta-feira (28), a cerimônia do 1º Prêmio Câmara de Mérito Cultural Saltense “Marcos Pardim”. A iniciativa reconheceu a trajetória de artistas e agentes culturais que contribuem para a preservação das tradições e o desenvolvimento cultural de Salto.

Três homenageados receberam troféus e certificados. Na categoria Destaque da Câmara, indicada pela Mesa Diretora do Legislativo, o reconhecimento foi concedido à Companhia Maria e José, que mantém viva a tradição da Folia de Reis desde 1979.

O produtor cultural, professor de dança e coreógrafo Odair José do Prado Vicente, conhecido como “Zulu”, venceu na categoria Pontes da Cultura, indicada pelo Conselho Municipal de Políticas Culturais.

Já a cineasta, pesquisadora e professora Lilian Solá Santiago conquistou a categoria Escolha Popular, com 46,1% dos votos. Ela disputou a preferência do público com o Dançarte – Festival de Danças, realizado na cidade desde 1997, e com o artista visual e pesquisador Edson Ferreira Alexandrino Junior.

Cerimônia e homenagens

A primeira edição do prêmio foi organizada por um Comitê Gestor formado pelos vereadores Michel Oliveira Rodrigues da Silva “Chell” (presidente), Edemilson Pereira dos Santos e Rogério dos Santos Filho “Dr. Rogério Pinheiro”, que discursaram durante o evento.

Também foram homenageados os integrantes da Comissão de Avaliação, Mércia Falcini, Mirna Bicalho e José Roberto Benedito, responsáveis pela seleção dos três finalistas da categoria Escolha Popular.

Um dos momentos da solenidade foi dedicado à memória de Marcos Pardim (1963–2025), que dá nome à premiação. Sua viúva, Hellen Conral, e sua filha, Luiza Chamon Pardim, receberam uma homenagem e agradeceram o reconhecimento.

Profissionais da cultura local são homenageados

Produtor cultural, gestor público, ativista e escritor, Pardim foi secretário de Cultura de Salto entre 2013 e 2016. Também ocupou o mesmo cargo em Araçoiaba da Serra e atuou como diretor de Cultura em Campo Limpo Paulista. A denominação do prêmio foi estabelecida pelo Decreto Legislativo nº 15/2025.

A programação contou com apresentações dos próprios vencedores. A Companhia Maria e José levou ao palco os versos tradicionais da Folia de Reis, enquanto Zulu reuniu alunos de diferentes projetos para apresentar a coreografia “Geração – do Afro ao Flashback, do Black Charme ao Street Dance (Hip-Hop)”.

O designer e diretor de arte João Ares também recebeu um agradecimento pela criação gratuita do logotipo da premiação, inspirado na pintura de mãos, uma das manifestações simbólicas mais antigas da humanidade.

Participaram da cerimônia a presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais, Thaís Carolina da Silva; o subsecretário de Governo, Raisuli Hudson, representante do Executivo; e o presidente da Câmara de Salto, Clayton Aparecido dos Santos “Clayton Bispo”, que fizeram uso da palavra.

Estiveram presentes ainda os vereadores Almir de Melo Santos “Almir da Adega”, Antônio Moreira Sobrinho, Arildo Guadagnini, Edemilson Pereira dos Santos, Edival Pereira Rosa “Preto”, Graziela Costa Leite “Dra. Grazi”, Henrique Balseiros Chamosa Neto, Luzia de Fátima Izidório Vidal, Michel Oliveira Rodrigues da Silva “Chell” e Rogério dos Santos Filho “Dr. Rogério Pinheiro”.

Conheça os homenageados

Companhia Maria e José – Destaque da Câmara

Fundada em 1979, no Jardim Maria José, a companhia é uma das principais representantes da Folia de Reis em Salto, manifestação cultural de origem portuguesa introduzida no Brasil durante o período colonial.

Suas atividades começam tradicionalmente em novembro e percorrem bairros como Jardim das Nações, Santa Cruz, Santa Lúcia, Salto de São José, Jardim Maria José, Jardim União, Jardim São Judas Tadeu e São Gabriel.

Os presentes e recursos arrecadados durante as visitas são destinados à realização de um almoço comunitário, promovido no Dia de Reis ou até 20 de janeiro.

Ao longo de quase cinco décadas, o grupo se consolidou como referência na preservação dessa manifestação popular, especialmente importante para a identidade cultural das cidades do interior.

Odair José do Prado Vicente “Zulu” – Pontes da Cultura

Natural de Cachoeira Paulista, Zulu chegou a Salto em 2008 e construiu uma trajetória dedicada à dança, à formação artística e à valorização da cultura hip-hop e da identidade afro-brasileira.

Diretor artístico, professor, palestrante, produtor cultural e coreógrafo, é um dos fundadores do coletivo Sarau Café com Preto, por meio do qual promove oficinas de Street Dance na Casa da Memória Negra de Salto. Também criou a Companhia de Danças Urbanas BSTS.

Seu trabalho alcança diferentes públicos, com aulas de danças urbanas, Flashback e Black Charme em projetos como o Grupo Renascer, a Associação dos Amigos do Bairro Jardim Celani, o Centro de Convivência do Idoso, os CRAS do Jardim Saltense e Santa Cruz e o grupo Evolution Flashback.

Além das atividades artísticas, apresenta o podcast Nossa Voz, organiza a Semana do Hip-Hop em Salto e participa da construção de políticas públicas como conselheiro e delegado municipal de Cultura.

Lilian Solá Santiago – Escolha Popular

Cineasta, artista-pesquisadora e educadora, Lilian nasceu em São Paulo e se estabeleceu em Salto em 2010. Sua carreira reúne contribuições importantes para o cinema brasileiro, a educação audiovisual e a valorização da memória negra.

Em 2006, tornou-se a primeira mulher negra a lançar comercialmente um documentário nos cinemas brasileiros, com Família Alcântara, codirigido por Daniel Santiago. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Zumbi dos Palmares, concedido pela Assembleia Legislativa de São Paulo.

Entre suas produções estão Eu Tenho a Palavra (2010) e Balé de Pé no Chão – A Dança Afro de Mercedes Baptista (2005), este último realizado em parceria com Marianna Monteiro e incluído como obra obrigatória no vestibular seriado da Universidade Federal de Minas Gerais a partir de 2026.

Em Salto, lecionou cinema no Ceunsp entre 2010 e 2022, coordenando o curso nos dois últimos anos e orientando mais de 100 curtas-metragens de estudantes. Em 2016, transferiu para o município sua produtora, Terra Firme Digital, contribuindo para o fortalecimento do setor audiovisual local.

É também idealizadora do Curta Salto – Festival do Primeiro Filme, que já realizou dez edições, e da Casa da Memória Negra de Salto, instalada no Museu da Cidade. Desde 2019, o espaço mantém atividades por meio do Sarau Café com Pretos.

Em 2025, Lilian concluiu seu doutorado na Universidade de São Paulo, com uma tese dedicada à Casa da Memória Negra, aprofundando sua atuação na pesquisa e preservação da história e da cultura afro-brasileira.

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